Há muito tempo sonho e venho me preparando para caçar swells, porém isso não é uma missão fácil, precisamos em primeiro lugar de equipamentos muito bons e caros.
Em nosso pais conseguir patrocinadores que acreditam e bancam essa idéias é uma tarefa complicada. Graças a Deus tenho bons patrocinadores, e precisei apenas mostrar a eles que funcionava, e que projetos assim faziam a diferença em suas empresas.
Com grana na mão, parti em busca de encontrar os jets certos, pois para cada pais eu precisaria de um tipo de jet ski. Por exemplo, no Chile a gasolina é muito cara, e as ondas são grandes, o local onde surfamos permite usarmos jets um pouco menores, nesse caso optei pelos jets Honda, que são os mais econômicos e seguros do mercado.
Para o Tahiti precisávamos de um jet um pouco maior e mais potente já que o resgaste em Teahupoo é muito critico, optamos pelo Yamaha, pois em caso de um problema é a única autorizada da ilha. E seguindo nessa linha de pensamento fomos comprando, com a ajuda dos patrocinadores, jets em vários locais do planeta: Califórnia, Hawaii, Brasil , Chile e Tahiti. Junto com meu parceiro Sylvio Mancusi montamos o que hoje podemos chamar de uma estrutura de sonho para qualquer dupla de tow inn.
Com os equipamentos todos prontos, isso inclui pranchas de resgate, pranchas de tow-inn, cordas, cintas de seguranças e etc, estamos prontos para caçar as grandes ondulações em vários locais. Precisávamos também de bons contatos para guardar todos esses equipamentos além de uma boa assessoria especializada em mapeamento de ondulações. Feito os contatos, conseguimos tudo e agora era só esperar por uma grande ondulação.
O que escrevo acima não aconteceu da noite para o dia, foram anos de planejamento, dedicação e muito estudo. Isso mesmo, o Sylvio e eu estudamos muito, ler e reler quais seriam o melhores lugares para montar nossas estruturas, pois o que parece mais óbvio hoje se torna descartável amanhã.
E somente esse ano, depois de quase cinco anos montando essa estrutura, é que pudemos realizar nossos projetos. No ultimo mês, surfei duas grandes ondulações, as maiores do ano, duas tacadas perfeitas.
A primeira foi no Chile, onde estamos com nossa melhor base, já que contamos com dois jets, um para o fotografo e cinegrafista e outro para nos. Voltando de uma sessão de surf na praia da Joaquina, cheguei em minha casa e no meu computador estava um alerta de swell, de um de nossos parceiros: “Swell gigante se aproximando da costa chilena, provavelmente o maior do ano”. Era tudo o que eu sonhava, liguei imediatamente para meu parceiro Sylvio que infelizmente não poderia ir.
Como já tínhamos combinado sempre temos um terceiro parceiro.
Liguei para ele, o Formiga, que também forma nossa equipe e tinha acabado de voltar do Chile. O cara mal descansou, chegou na noite anterior e já estava voltando.
Parceria é assim, com o parceiro confirmado, providenciamos as passagens, e isso é outro detalhe muito importante, já que comprar passagens encima da hora é sempre um problema. Como não encontramos vôos direto para a África, onde fica nossa base, tivemos que usar nossa segunda opção, viajar mais e ir via PERU.
Foi o que fizemos e em tempo recorde. No dia seguinte já estávamos lá. Realmente ter bons contatos e ótimos amigos faz toda a diferença. Chegando lá nossos jets já estavam todos prontos, tínhamos uma camionete nos esperando e as baterias estavam carregadas. Não poderia ser melhor, fomos então para o hotel, descansar e esperar para saber se as previsões se confirmariam.
Não poderia ser melhor, no dia seguinte ondas muitos grandes e tubulares explodiam na bancada , mais que confirmando que estávamos no lugar certo e na hora exata. Tudo pronto partimos para água, foram quase 10 horas de muitos surf, bons caldos, e os melhores tubos que surfamos no ano. Tudo registrado, voltamos ao Brasil com um ótimo material para patrocinadores e para revista que nos acompanhou. Dever mais que cumprido, era só descansar nos braços da família.
Mais não passou nem duas semana para que outra grande ondulação entrasse, dessa vez era o Tahiti, a mais perigosa e assustadora das ondas, pois quando Teahupoo resolve ficar grande, realmente é muita adrenalina, só mesmo quem já surfou sabe o que é descer uma onda daquelas, dormir depois nem pensar.
Mais uma vez nossos contatos funcionaram, recebemos o aviso de um grande swell se aproximando, e que seria provavelmente o maior do ano.
Dessa vez meu parceiro Sylvio estava pronto, e o Formiga estava em outra missão, equipe é assim. Compramos a passagens de ultima hora , pagamos uma fortuna, mas tudo vale nesses momentos, o único objetivo era conseguir embarcar. Ligações para o Tahiti para deixar nosso jet funcionado, pois já esta parado há quase seis meses, reservas prontos partimos para aquilo que consideramos o maior objetivo de todos os nossos projetos.
É claro que uma viagem dessa é muito cansativa, precisamos estar muito preparados, pois são 15 horas de vôos, e mais 8 horas de aeroporto, chegamos lá as 2 da madrugada e as seis;30 já estávamos na água. O swell tinha se confirmado , e a emoção era gigante, como as ondas, que estouravam ao nosso lado sobre uma bancada muito rasa, tenho que confessar que é assustador, ver aquele tubo do canal, acho que prefiro surfar a olhar.
E foi isso que fizemos todo o dia, 12 horas de muito surf, o maior crowd que já vi ate hoje por lá, pegamos boas ondas, não as maiores pois essas tinham donos, mas as que surfarmos fez nossas cabeças, e participar de um show como aquele vale qualquer esforço e dedicação.
De volta ao Brasil junto de minha família , vejo algumas fotos desses últimos swells e penso como é bom se caçador de ondas grandes.
Aloha
Pato. |